Aquela garota que todos temiam nos corredores da escola. O grupo dos populares que ditava as regras. O colega rejeitado que ninguém queria perto. Essas imagens voltam à mente com uma nitidez impressionante, mesmo depois de 20, 30 ou 40 anos. Não é coincidência. Pesquisadores descobriram que nossas experiências no ensino médio deixam marcas profundas que moldam a forma como nos relacionamos, trabalhamos e vivemos na vida adulta.

O psicólogo Mitch Prinstein, da Universidade da Carolina do Norte, conversou com centenas de pessoas sobre seus anos escolares e chegou a uma conclusão perturbadora: a maioria consegue se lembrar sem esforço do nome do aluno mais popular de seu ano, com mais facilidade do que de professores e outros colegas de classe. As lembranças das pessoas que dominavam os corredores da escola são extraordinariamente fortes e persistentes.

A hierarquia que não desaparece

Podemos imaginar que a divisão em grupos populares, nerds e rejeitados fica para trás quando atravessamos os portões da escola pela última vez. Mas os dados indicam o oposto: essa hierarquia continua exercendo influência em nossas vidas por muitos anos. Afeta desde a maneira como interpretamos interações sociais até a qualidade de nossos relacionamentos amorosos, nossa satisfação geral com a vida e até mesmo nossa saúde mental.

O psicólogo americano John Coie foi quem mudou a forma como os pesquisadores pensam a popularidade. No início dos anos 1980, ele fez perguntas simples a crianças em idade escolar: de quem você mais gosta? De quem você menos gosta? Analisando as respostas, Coie identificou algo surpreendente. Não existia apenas uma categoria de populares e rejeitados. Havia, na verdade, cinco categorias distintas.

As crianças aceitas eram amplamente queridas; as rejeitadas, amplamente desaprovadas; as controversas recebiam tanto aprovação quanto rejeição; as negligenciadas quase não eram mencionadas; e as medianas não se destacavam em nenhuma direção. O mais impressionante foi descobrir que esses rótulos permaneciam praticamente os mesmos, mesmo quando as crianças eram inseridas em novos grupos. Cerca de metade delas mantinha, cinco anos depois, no ensino médio, o mesmo rótulo que tinha no ensino fundamental.

Quando os valores mudam, a hierarquia se transforma

No ensino fundamental, os alunos populares são simplesmente aqueles de quem os outros mais gostam, frequentemente os que se comportam bem e se destacam academicamente. Os valores das crianças estão alinhados aos dos adultos que as supervisionam. Mas no ensino médio tudo muda.

De repente, aquilo que os adultos representam se torna profundamente indesejável. Um aluno consciencioso e dedicado pode ser relegado à categoria de nerd, enquanto um jovem rebelde e divisivo pode ter uma ascensão social inesperada. Comportamentos considerados pseudomaduros — beber álcool, usar drogas, envolver-se precocemente em relacionamentos — conferem status rapidamente. Por volta dos 15 anos, porém, esses mesmos comportamentos deixam de funcionar como passaporte social.

A psicóloga Lucy Foulkes, da Universidade de Oxford, aponta que os adolescentes estão cercados pelas mesmas pessoas quase todos os dias durante anos — uma situação que, na vida adulta, só ocorre na prisão ou no exército. Essa intensidade extraordinária explica por que essas experiências ficam gravadas em nossa memória e continuam influenciando nossas reações sociais décadas depois.

O preço da busca por status

Uma descoberta particularmente reveladora veio de um estudo de 2015 realizado por Joseph Allen, professor de psicologia da Universidade da Virgínia. Acompanhando 184 adolescentes do sudeste dos Estados Unidos dos 13 aos 23 anos, Allen descobriu que jovens obcecados por status e que adotavam comportamentos pseudomatuos no início da adolescência enfrentavam dificuldades significativas de longo prazo. Eles tinham maior risco de problemas em relacionamentos próximos, comportamentos criminosos, abuso de substâncias e dificuldades para manter amizades genuínas.

Por outro lado, a pesquisa de Prinstein revelou que ser querido — ter a simpatia dos colegas — é um dos mais fortes indicadores de resultados positivos na vida adulta. Está associado a carreiras bem-sucedidas, boa saúde e relacionamentos sólidos, frequentemente superando em importância fatores como inteligência e origem socioeconômica.

A experiência de rejeição deixa cicatrizes. Alunos rejeitados no ensino médio apresentam maior probabilidade de depressão ao passar dos anos. Prinstein identifica um ciclo de feedback negativo: a rejeição gera isolamento, que intensifica os sentimentos de inadequação.

Mudando o curso da história

A boa notícia é que nossas primeiras experiências não determinam nosso futuro de forma irreversível. Prinstein destaca que os scripts sociais desenvolvidos no ensino médio podem se tornar profecias autorrealizáveis, mas podem ser alterados conscientemente. Quando escolhemos atualizar nossos modelos mentais — por exemplo, interpretando um comentário ambíguo de um colega como inofensivo em vez de hostil — podemos transformar nossas experiências sociais.

Connie, que enfrentou rejeição e bullying no início do ensino médio, diz que suas primeiras experiências alimentaram um padrão de autossabotagem. Mas, mais de uma década depois, ela descobriu o que ama profissionalmente e raramente pensa em seus dias escolares. Georgia, que era temida por sua agressividade na adolescência, agora dedica-se a defender pessoas vulneráveis, transformando sua experiência em propósito.

O fato é que ter apenas um ou dois bons amigos na adolescência pode exercer um efeito protetor e fortalecer relacionamentos futuros. A mudança cognitiva que ocorre com a maturidade permite que as antigas barreiras sociais se dissolvam. Aqueles que eram excluídos podem encontrar seu lugar. Os comportamentos que conferiam status podem perder relevância.

Prinstein conclui que as pessoas podem absolutamente mudar o rumo das coisas, o problema é que não passamos muito tempo falando sobre isso. E é por isso que tantas delas continuam presa aos padrões do ensino médio — porque ninguém as ofereceu ferramentas para escapar.

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