Uma embarcação equatoriana foi afundada pelo Comando Sul dos Estados Unidos na segunda-feira (7), marcando a quinta ação do tipo em menos de quatorze dias no Pacífico. Segundo as autoridades americanas, o barco funcionava como posto flutuante de abastecimento para operações ilícitas de narcotráfico, supostamente vinculado ao grupo criminoso Los Choneros. A ação ocorre enquanto os EUA intensificam sua ofensiva contra redes logísticas de tráfico de drogas na América Latina, gerando questionamentos sobre a legalidade e eficácia das operações.

A operação e seus detalhes

Uma força-tarefa conjunta interceptou a embarcação no leste do Oceano Pacífico durante operação coordenada entre autoridades americanas e equatorianas. Vídeos divulgados pelos militares mostram o procedimento em detalhes: agentes embarcando na embarcação, helicópteros sobrevoando a região e, posteriormente, um projétil atingindo e afundando o barco. Os ocupantes foram retirados da embarcação e serão transferidos às autoridades equatorianas para processamento posterior.

O Comando Sul classificou a ação como parte de suas operações 'precisas e profissionais para desmantelar as redes logísticas que alimentam o tráfico de drogas no Hemisfério Ocidental'. Não houve divulgação do nome exato da embarcação afundada, diferentemente de operações anteriores que tiveram maior repercussão pública.

Uma semana de intensas operações militares

Nas duas semanas que precederam este incidente, as forças americanas já haviam afundado quatro embarcações adicionais. Na semana anterior, o barco pesqueiro María Candelaria foi atingido durante operação que gerou comoção no Equador. A Marinha equatoriana localizou 26 tripulantes do María Candelaria que chegaram ao porto de Manta no domingo. Oito pescadores do barco Conquista II também foram encontrados, embora familiares dos tripulantes continuassem cobrando informações sobre o paradeiro de outras pessoas.

Os barcos OM2 e Los Tres Hermanos também foram afundados nas últimas semanas, de acordo com relatos de seus tripulantes. O Comando Sul identificou essas embarcações na rede social X como 'postos flutuantes de abastecimento para múltiplas embarcações envolvidas em operações ilícitas de tráfico de drogas'.

A controvérsia sobre os desaparecidos

Os casos recentes se somam a uma série de operações anteriores que geraram questionamentos sobre segurança e legalidade. No barco Fiorella, interceptado em janeiro deste ano, oito pescadores continuam desaparecidos até agora. As tripulações de outras embarcações foram levadas para El Salvador após serem interceptadas, gerando preocupação entre familiares e defensores dos direitos humanos sobre o destino dessas pessoas.

Em pelo menos um caso documentado, autoridades equatorianas afirmaram não ter encontrado provas de que um sobrevivente de um dos ataques tivesse participado de qualquer atividade criminosa. Esse achado levantou questões sobre os critérios utilizados para identificar e interceptar embarcações suspeitas.

Números alarmantes e críticas crescentes

Dados disponíveis mostram que pelo menos 227 pessoas morreram em 68 ataques realizados pelo governo dos EUA contra embarcações no Caribe e no Pacífico desde o início dessas operações, há mais de um ano. Críticos internacionais questionam tanto a legalidade das ações sob a perspectiva do direito internacional quanto a eficácia prática dessas operações no combate ao narcotráfico.

Grupos de direitos humanos têm apontado a falta de transparência nas operações como preocupação central. A ausência de investigações independentes sobre os incidentes e a limitada cooperação com autoridades locais em algumas situações agravam as tensões diplomáticas na região.

Expansão das operações militares na América Latina

O governo Trump busca ampliar acordos com países aliados para estender operações militares conjuntas ao território de nações latino-americanas. Durante visita ao Panamá neste mês, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que Colômbia, Guatemala e Honduras concordaram em permitir operações militares conjuntas contra grupos criminosos. A Guatemala negou posteriormente ter firmado tal acordo, revelando discordâncias sobre o escopo dessa cooperação.

O Equador já iniciou missões similares com os Estados Unidos em março, formalizando uma parceria que, aparentemente, inclui operações de afundamento de embarcações suspeitas. Essa coordenação bilateral levanta questões sobre a soberania nacional e o controle das autoridades equatorianas sobre operações realizadas em suas águas territoriais ou em zona econômica exclusiva.

A atribuição ao Los Choneros

Os Estados Unidos classificam o grupo Los Choneros como organização terrorista estrangeira. Segundo Washington, todas as embarcações afundadas recentemente tinham ligação com essa facção criminosa, embora verificações independentes dessas acusações permaneçam limitadas em muitos casos.

As autoridades do Equador não fizeram comentários imediatos sobre a embarcação afundada nesta segunda-feira, mantendo silêncio diplomático sobre as operações em andamento. Esse silêncio contrasta com a cobertura midiática intensa que acompanha cada novo incidente, especialmente quando pescadores desaparecem ou familiares aguardam notícias nos portos equatorianos como Manta.

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