Vinte e cinco anos após os ataques de 11 de setembro de 2001, a BBC obteve vídeos inéditos que mostram Omar al-Bayoumi, homem central em um processo de US$ 1 trilhão movido por familiares das vítimas, com ligações diretas a Anwar al-Awlaki, que mais tarde lideraria a al-Qaeda na Península Arábica. As imagens, que o FBI possuía há poucos dias após os ataques, contradizem frontalmente duas décadas e meia de negativas de que Bayoumi fosse extremista ou espião saudita.

Os vídeos foram descobertos entre os pertences de Bayoumi quando foi preso pela polícia de Londres em 21 de setembro de 2001. Neles, Bayoumi aparece abraçando Awlaki em janeiro de 1998 e, em outro material filmado de 1997 ou início de 1998, ambos participam de partidas de paintball perto de San Diego com um funcionário do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita. Durante as simulações de combate urbano, alguns participantes gritam 'Allahu Akbar' enquanto avançam em formação de batalha.

O diagrama misterioso do avião

Entre os itens prioritários encontrados na residência de Bayoumi em Birmingham estava uma folha amarela pautada contendo o esboço de um avião acompanhado por uma equação matemática manuscrita. Segundo análise posterior, a equação expressa a altura e a distância necessárias para que um piloto conduza uma aeronave até um determinado objeto em solo — essencialmente, um cálculo de colisão aérea.

'É o cálculo matemático da colisão', explicou à BBC Jodi Westbrook Flowers, integrante da equipe jurídica das famílias das vítimas. 'Quando descobrimos do que se tratava, soubemos que era a prova decisiva que estávamos procurando.'

O diagrama chegou ao escritório do FBI em Londres no mesmo dia de sua descoberta, 22 de setembro de 2001, poucos metros da sala de custódia onde Bayoumi estava sendo interrogado. Cópias circularam entre vários agentes do FBI nos dias seguintes. Porém, os detetives britânicos responsáveis pelo interrogatório nunca foram informados sobre o documento, apesar de estarem tão próximos.

Dezoito anos depois, o FBI entregaria a folha ao tribunal no processo das famílias apenas após uma intimação judicial. A página só se tornou pública em 2022. Um juiz federal responsável pelo caso concluiu que o diagrama, 'à primeira vista, liga Bayoumi ao conhecimento dos ataques de 11 de Setembro'. Quando questionado em 2021, Bayoumi afirmou simplesmente que gostava de escrever equações e não se lembrava quando havia feito aquele esboço.

Obstáculos na investigação e decisões questionáveis

Rick Lambert, que comandava a investigação do FBI em San Diego, contou à BBC que seu escritório fez repetidos pedidos a Nova York para receber cópias de todas as evidências apreendidas em Birmingham. A resposta foi invariável: 'estamos encarregados do caso; enviaremos o material quando terminarmos a análise'. Esses materiais nunca foram enviados com plenitude.

'Acredito que existe a possibilidade de que, se tivéssemos recebido essas evidências e as analisado, teríamos conseguido montar as peças do quebra-cabeça muito mais rapidamente', afirmou Lambert, que hoje atua como consultor das famílias das vítimas.

Outro obstáculo significativo surgiu quando agentes em San Diego e Los Angeles tentaram entrevistar autoridades sauditas nos EUA ligadas ao Ministério dos Assuntos Islâmicos. Ambas as solicitações foram negadas pela sede do FBI e pelo Departamento de Estado. 'A resposta foi: não, vocês não vão fazer isso', resumiu Lambert. Steve Moore, que supervisionou a investigação em Los Angeles, descreveu a situação de forma mais colorida: 'Batemos em uma barreira tão forte que todos nós parecíamos ter ficado com marcas de airbag'.

A entrevista com garantias incomuns

Em outubro de 2003, a Comissão do 11 de Setembro entrevistou Bayoumi em Riad na presença da polícia secreta saudita. O diretor executivo Philip Zelikow, ex-assessor do presidente George W. Bush, conduziu a sessão. Segundo anotações da época, Bayoumi 'foi informado de que ninguém acreditava que tivesse ajudado conscientemente os sequestradores'.

O que torna esse encontro particularmente notável é que a delegação americana interrompeu os trabalhos para participar de um elaborado jantar oferecido pelo Mabahith, a polícia secreta saudita. Após a entrevista, o Mabahith expressou seu desejo de ver Bayoumi 'inocentado'. Os americanos responderam que nenhuma absolvição seria possível antes da publicação do relatório.

A Comissão do 11 de Setembro nunca teve acesso ao diagrama do avião, ao vídeo do paintball, aos escritos que indicavam simpatias jihadistas de Bayoumi ou à maioria das demais provas apreendidas pela Polícia Metropolitana. Quando o relatório foi publicado em julho de 2004, Bayoumi foi, na prática, inocentado, descrito como 'prestativo e sociável' com 'nenhuma evidência de visões extremistas'.

Contudo, alguns integrantes da comissão discordaram dessa conclusão, considerando improvável que Bayoumi não soubesse que Hazmi e Mihdhar eram membros da al-Qaeda. A BBC revelou que esses integrantes se opuseram à frase que o descrevia como 'candidato improvável para envolvimento clandestino com extremistas', obrigando a inserção de uma ressalva atribuindo essa avaliação aos 'investigadores que lidaram diretamente com ele'.

Jeffrey Breinholt, então diretor-adjunto de contraterrorismo do Departamento de Justiça, afirmou que Bayoumi havia surgido 'como uma das principais possibilidades para apresentação de acusações', mas nenhuma proposta de acusação lhe foi encaminhada. 'Já condenamos pessoas por menos', disse Breinholt, referindo-se ao diagrama do avião. Sobre o vídeo de paintball, acrescentou ser 'evidência muito reveladora' que teria gerado 'uma acusação por apoio material contra Bayoumi'. Mas nenhuma acusação foi apresentada, e as razões permanecem envoltas em sigilo após 25 anos.

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