A aprovação do governo Lula enfrenta novo recuo. Dados divulgados pela Quaest nesta segunda-feira revelam que a desaprovação chegou a 50% dos eleitores, enquanto a aprovação se mantém em 43%. O resultado marca o fim do empate técnico entre os dois índices, que havia sido registrado na pesquisa anterior, realizada em 2 de setembro. A margem de sete pontos percentuais entre desaprovação e aprovação sinaliza um terreno mais acidentado para o governo petista.

Comparando os números com levantamento anterior, a desaprovação subiu dois pontos percentuais, passando de 48% para 50%. Simultaneamente, a aprovação caiu na mesma proporção, de 45% para 43%. Embora as variações estejam dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o movimento em direções opostas reforça a tendência de deterioração do cenário político. Outros 7% dos entrevistados não souberam ou não responderam à pergunta.

Avaliação qualitativa do governo piora ligeiramente

Quando questionados sobre a qualidade do trabalho governamental—considerando categorias como ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo—os eleitores também sinalizaram insatisfação crescente. A avaliação negativa, que concentra respostas de ruim e péssimo, aumentou um ponto percentual, passando de 37% para 38%. Por outro lado, a avaliação positiva, composta por respostas ótimo e bom, caiu de 35% para 34%.

Os 25% que consideram o governo regular mantiveram a mesma proporção em relação ao período anterior. O padrão revela um cenário onde a satisfação diminui enquanto a insatisfação cresce, criando um ambiente desafiador para estratégias de comunicação e ações políticas governamentais. A pequena oscilação percentual dos que não responderam—mantida em 3%—sugere que a maioria dos eleitores já tem formada uma opinião sobre a gestão federal.

Economia segue como fator determinante para o descontentamento

A percepção econômica permanece praticamente congelada no tempo, refletindo estabilidade na avaliação, mas uma estabilidade pessimista. Para 49% dos eleitores consultados, a situação econômica do país piorou nos últimos 12 meses—percentual idêntico ao registrado em 2 de setembro. Apenas 19% acreditam que houve melhora, enquanto 29% afirmam que a situação ficou do mesmo jeito. Estes números constroem um quadro onde quase metade dos brasileiros enxerga degradação nas condições econômicas.

Este dado ganha contorno ainda mais preocupante quando se observa a situação específica das famílias. Uma maioria expressiva—54% dos eleitores—relata que sua renda não aumentou ou cresceu insuficientemente em relação ao custo de vida no último ano. Este contingente divide-se em dois grupos: 33% afirmam não ter recebido qualquer aumento salarial, enquanto outros 21% experimentaram elevações de renda que não acompanharam a inflação de preços.

Por outro lado, apenas 10% dos respondentes conseguiram fazer a renda crescer acima do custo de vida, enquanto 33% tiveram aumento equivalente ao aumento dos preços. A situação permanece inalterada em relação à pesquisa anterior, indicando uma espécie de congelamento do cenário de desigualdade econômica percebida pela população.

Endividamento das famílias atinge novo patamar preocupante

Um aspecto particularmente alarmante emerge quando se analisa o endividamento das famílias brasileiras. A proporção de eleitores que afirmam ter muitas dívidas cresceu seis pontos percentuais em pouco mais de um mês. No levantamento realizado em 5 de agosto, este percentual ficava em 22%, mas saltou para 28% na atual rodada de pesquisa. Este é o maior indicador de deterioração observado entre todos os parâmetros mensurados.

Como contrapartida, aqueles que relatam não ter dívidas diminuíram de 31% para 27%, uma queda de quatro pontos. Os que disseram ter poucas dívidas também oscilaram negativamente, caindo de 47% para 44%. Estes movimentos sugerem um endividamento crescente entre as famílias brasileiras, fenômeno que contribui para amplificar a percepção de piora econômica já documentada nas outras métricas da pesquisa.

Contexto da pesquisa e metodologia

A pesquisa Quaest foi encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, contando com entrevistas a 2.004 eleitores realizadas entre 3 e 6 de setembro. O registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral é BR-01720/2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Estes parâmetros metodológicos conferem solidez aos resultados apresentados.

A trajetória de deterioração dos índices de aprovação, combinada com o crescimento do endividamento familiar e a persistência de percepções negativas sobre a economia, desenha um cenário político complexo. Os 50% que desaprovam o governo não representam apenas um número, mas um segmento significativo da população que sente na pele os impactos da inflação e do endividamento crescente.

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