A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira pela Globo e jornal O Globo, oferece um retrato detalhado do cenário político brasileiro sem a participação de Pablo Marçal, declarado inelegível. O levantamento traz dados que revelam não apenas os números gerais da corrida presidencial, mas também as nuances que caracterizam a divisão do eleitorado por região, gênero, faixa etária, religião e cor da pele.

Lula (PT) mantém sua posição de liderança com 36% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar com 29%. O cenário apresentado pela Quaest inclui 12 candidatos e marca um diferencial de sete pontos percentuais entre os dois principais nomes da disputa. Augusto Cury (Avante) segue em terceiro lugar com 8%, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3%, e Romeu Zema (Novo) com 2%.

A metodologia da pesquisa envolveu 2.004 entrevistas com pessoas de 16 anos ou mais em todo o país, realizadas entre 3 e 6 de setembro. O trabalho possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral ocorreu sob o número BR-01720/2026, garantindo a transparência e a conformidade com as exigências legais brasileiras.

Divisões regionais e suas implicações políticas

Quando analisados os dados por região geográfica, emergem padrões distintos que refletem a complexidade da geografia política nacional. O Nordeste, historicamente considerado reduto de apoio a Lula, apresenta números que consolidam essa tendência. As regiões Sul e Sudeste, por sua vez, mostram competitividade maior entre os principais candidatos, indicando que nesses territórios a disputa segue acirrada e aberta a variações conforme os eventos políticos se desenrolam.

Essas variações regionais não são meramente numéricas; revelam questões estruturais sobre como diferentes grupos populacionais absorvem as mensagens políticas, como se relacionam com os candidatos e qual é o peso dos temas locais na decisão do voto. A distribuição geográfica do eleitorado sugere que estratégias de campanha personalizadas por região podem ser determinantes para o resultado final.

Diferenças de gênero: mulheres e homens votam diferente

A segmentação por gênero revela diferenças significativas nas preferências eleitorais. Mulheres e homens demonstram comportamentos distintos frente aos candidatos principais, refletindo posições políticas e prioridades que podem variar entre os sexos. Essa divisão é relevante para compreender como campanhas se estruturam e quais mensagens ganham mais ressonância em cada segmento.

Tais diferenças também dialogam com agendas específicas que adquirem importância diferenciada conforme o gênero. Políticas de saúde reprodutiva, segurança, educação e trabalho podem ocupar lugares distintos nas preocupações de homens e mulheres, influenciando consequentemente suas escolhas eleitorais.

Juventude, maturidade e o voto: gerações em perspectiva

Os dados por faixa etária indicam que diferentes gerações têm relação distinta com os candidatos. Jovens eleitores podem priorizar agendas ligadas ao futuro, como emprego, educação superior e sustentabilidade ambiental. Eleitores mais maduros frequentemente direcionam atenção para questões previdenciárias, saúde e segurança. Essas diferentes prioridades naturalmente conduzem a escolhas eleitorais variadas.

A pesquisa Quaest demonstra que a idade continua sendo um fator estruturante nas intenções de voto, evidenciando que não existe um eleitorado homogêneo no Brasil, mas sim múltiplos eleitorados com demandas e perspectivas distintas.

Religião e cor: marcadores identitários e políticos

A segmentação por religião e cor da pele oferece dimensões ainda mais profundas sobre as escolhas eleitorais. Eleitores evangélicos, católicos e de outras religiões apresentam preferências que frequentemente refletem valores e posições sobre temas como aborto, educação religiosa nas escolas e liberdade religiosa. Esses temas adquirem peso distintos conforme o pertencimento religioso.

Quanto à cor da pele, a pesquisa permite visualizar como políticas de reparação racial, como cotas universitárias e ações afirmativas, impactam as preferências eleitorais. Pessoas pretas e pardas frequentemente votam considerando agendas que afetam mais diretamente suas vidas e comunidades. Essa segmentação é fundamental para compreender as bases eleitorais de cada candidato e as coligações políticas que se formam ao redor deles.

O cenário sem Marçal e seus desdobramentos

A ausência de Pablo Marçal neste levantamento marca uma diferença crucial em relação a cenários anteriores. O ex-candidato do PRTB havia mobilizado parcelas significativas do eleitorado, especialmente entre segmentos mais jovens. Sua inelegibilidade redistribui essas preferências, alterando o mapa político do primeiro turno.

Esse deslocamento de votos não se distribui uniformemente, beneficiando alguns candidatos mais que outros conforme o perfil dos eleitores que mudaram suas preferências. A Quaest, ao fotografar a realidade sem Marçal, oferece aos eleitores, mídia e candidatos uma compreensão mais clara do terreno político no qual a campanha efetivamente se desenvolve.

Os dados de identificação política mostram que candidatos encontram suas bases em diferentes espectros ideológicos, confirmando que a polarização continua marcante na política brasileira. Quando se observam os segmentos de escolaridade e renda, outras nuances aparecem, revelando que educação formal e poder aquisitivo exercem influência sobre como eleitores se posicionam diante dos candidatos. A pesquisa Quaest, com seus 2.004 entrevistados distribuídos nacionalmente, oferece um espelho confiável de como o Brasil votaria hoje.

Veja também

Veja também

Veja também

Veja também