A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7 de setembro) desenha um cenário da corrida presidencial para 2026 que coloca o presidente Lula em vantagem no primeiro turno, com 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro desponta como seu principal concorrente, marcando 29%. O levantamento, contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país entre os dias 3 e 6 de setembro, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança.
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01720/2026, a pesquisa contempla um cenário com 13 candidatos, incluindo Pablo Marçal do PRTB, que atualmente se encontra inelegível. Esse contexto oferece um retrato amplo do posicionamento político dos eleitores brasileiros, permitindo análises detalhadas sobre como diferentes segmentos da população pretendem votar nas próximas eleições presidenciais.
Os candidatos e suas posições na disputa
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa mostra outros nomes relevantes no cenário político nacional. Augusto Cury, do partido Avante, aparece em terceiro lugar com 8% das intenções de voto. Logo após, encontram-se Renan Santos, pela legenda Missão, e Ronaldo Caiado, do PSD, ambos com 3% cada. Romeu Zema, do partido Novo, marca 2%, enquanto Pablo Marçal fica com apenas 1% das intenções, apesar de sua presença no cenário.
A distribuição dos votos reflete a fragmentação do espectro político brasileiro e evidencia que, mesmo com diversos candidatos em disputa, a concentração de preferências permanece significativa nos dois principais nomes do levantamento. Essa dinâmica sugere que, independentemente da fragmentação inicial, o debate público continuará polarizado em torno de Lula e da candidatura bolsonarista.
Variações por identificação política e região
Os dados da Quaest demonstram variações importantes quando analisados conforme a identificação política dos eleitores. Pessoas que se identificam à esquerda tendem a concentrar suas preferências em Lula, enquanto aquelas que se posicionam à direita gravitam fortemente em direção a Flávio Bolsonaro. O centro político, por sua vez, apresenta maior dispersão de votos entre candidatos diversos, incluindo Cury, Caiado e Zema.
Regionalmente, o levantamento aponta diferenças significativas. As regiões Norte e Nordeste mostram maior concentração de votos em Lula, refletindo a tradicional base eleitoral do presidente nesses territórios. Já no Sudeste, particularmente em São Paulo, a disputa aparece mais acirrada, com Flávio Bolsonaro apresentando números mais competitivos. Sul e Centro-Oeste também registram padrões particulares que moldam o mapa político nacional.
Recortes por gênero, idade e características demográficas
Quando desagregados por gênero, os dados revelam que Lula mantém uma vantagem consistente tanto entre homens quanto entre mulheres, embora com variações importantes. A faixa etária se mostra determinante para as intenções de voto: eleitores mais jovens distribuem suas preferências de forma mais diversificada, enquanto eleitores com idade mais avançada concentram-se mais significativamente em torno dos dois principais candidatos.
A análise por escolaridade indica que o grau de instrução influencia nas escolhas eleitorais, com padrões distintos entre diferentes níveis educacionais. Similarmente, a renda familiar apresenta correlação com as intenções de voto, sugerindo que questões econômicas e sociais moldam as perspectivas políticas dos entrevistados.
Divisões religiosas e raciais na preferência eleitoral
O recorte por religião mostra particularidades importantes no mapa político. Eleitores evangélicos apresentam concentração significativa em Flávio Bolsonaro, enquanto católicos distribuem-se de forma mais equilibrada entre candidatos. Essa dinâmica reflete diferenças nas agendas políticas e valores priorizados por essas comunidades religiosas.
Quanto à cor ou raça declarada, a pesquisa documenta variações nas preferências entre brancos, pretos, pardos e outras categorias. Esses dados oferecem perspectiva valiosa sobre como questões de identidade racial e políticas relacionadas a igualdade reverberam nas intenções de voto de diferentes grupos populacionais.
O segundo turno e a aprovação presidencial
Além do cenário de primeiro turno, a Quaest também mapeou um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, mostrando ambos empatados tecnicamente com 41% das intenções de voto cada um. Esse achado contrasta com a vantagem do presidente no primeiro turno, sugerindo dinâmicas eleitorais complexas e potencialmente decisivas.
Complementando o retrato político, o levantamento aponta que 43% aprovam o governo Lula, enquanto 50% desaprovam. Adicionalmente, 32% dos entrevistados indicam que uma vitória de Lula e do PT seria o melhor resultado eleitoral, comparado a 24% que prefeririam o retorno da família Bolsonaro ao poder. Esses números sugerem que a aprovação presidencial e as expectativas para o futuro político brasileiro permanecem divididas de maneira significativa entre os eleitores.