A polarização política que caracterizou as últimas eleições brasileiras permanece como força central nas preferências dos eleitores quando o assunto é o resultado ideal para a disputa presidencial de 2026. Dados divulgados pela Quaest nesta segunda-feira (7 de setembro) revelam que aproximadamente um terço dos brasileiros considera a vitória de Lula e do PT como o melhor cenário possível, enquanto um contingente significativo ainda aposta na volta da família Bolsonaro ao poder.
A pesquisa, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 3 e 6 de setembro. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01720/2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O cenário de preferências dos eleitores
Conforme os números colhidos, 32% dos entrevistados indicam que a vitória de Lula e do PT representaria o melhor resultado para a eleição presidencial. Na sequência, 24% consideram que a volta da família Bolsonaro ao governo seria o resultado mais positivo. Estes dois números evidenciam que a disputa entre PT e bolsonarismo continuará estruturando a política eleitoral brasileira nos próximos anos.
Existe, porém, um terceiro grupo que cresce em relevância: 20% dos respondentes afirmam que preferem a vitória de um candidato completamente fora da política e da polarização. Já 17% consideram que um candidato moderado, também alheio à polarização, seria o melhor resultado. Sete por cento não responderam ou afirmaram não saber.
Estes índices indicam que cerca de 37% dos eleitores demonstram desejo por uma alternativa que rompa com o eixo PT-Bolsonaro. Ainda que Lula e Flávio Bolsonaro apareçam empatados no cenário de segundo turno (ambos com 41%), as preferências reveladas nesta pesquisa sugerem que uma parcela relevante da população está cansada do confronto entre estes dois campos.
Diferenças significativas entre eleitores independentes
Os dados apresentam variações interessantes quando se observa especificamente o comportamento dos eleitores independentes. Neste segmento, a preferência se inverte de forma dramática. Enquanto 32% destes votantes desejam um candidato de fora da política e afastado da polarização, apenas 19% consideram que a vitória de Lula e do PT seria o melhor resultado.
Entre os independentes, 27% acreditam que um candidato moderado fora da polarização seria a solução ideal, e 10% ainda assim preferem a volta da família Bolsonaro. Doze por cento não souberam ou não responderam. Este padrão de resposta revela que quanto menos vinculado a estruturas partidárias o eleitor se considera, menor sua tendência de preferir os candidatos que personificam a polarização tradicional.
Variações regionais reforçam clivagens políticas
A distribuição geográfica das respostas demonstra como o mapa político brasileiro permanece dividido. No Nordeste, 53% dos respondentes consideram que a vitória de Lula e do PT seria o melhor resultado. Esta proporção reflete a força histórica que o PT mantém nesta região, que foi a base eleitoral durante os governos do ex-presidente de 2003 a 2010.
Já o Sul apresenta o padrão inverso. Ali, 31% dos eleitores consideram que a volta da família Bolsonaro ao poder seria o resultado mais favorável. O estado de Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, entre outros, têm mantido núcleos de apoio bolsonarista significativos, e estas preferências eleitorais refletem-se nas respostas sobre qual seria o melhor cenário político.
Consolidação de votos: a vantagem de quem lidera
Quando perguntados sobre a firmeza de suas escolhas, 71% dos eleitores afirmaram que a decisão sobre em quem votar é definitiva. Os 29% restantes admitem que ainda podem mudar de voto até o dia da eleição, marcado para 4 de outubro de 2026.
Entre os candidatos que lideram as pesquisas, o voto encontra-se bastante consolidado. Lula apresenta 80% de eleitores com voto definido, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 78%. Este nível de consolidação reflete não apenas preferências, mas também rejeição: ambos os candidatos líderes possuem os maiores índices de eleitores que conhecem e afirmam que não votariam neles.
Flávio Bolsonaro apresenta 55% de rejeição, enquanto Lula possui 53%. Estes números demonstram que a eleição de 2026 pode ser marcada não apenas pelo entusiasmo de quem quer votar em alguém, mas também pela mobilização de quem deseja votar contra determinados candidatos.
A pesquisa espontânea e o universo de indecisos
Quando a pesquisa não apresentava os nomes dos candidatos aos entrevistados, um quadro distinto emergia. Lula mantinha-se em 28% de menção espontânea, enquanto Flávio Bolsonaro ficava em 20%. No entanto, o dato mais impressionante era o contingente de 42% de eleitores que não espontaneamente citavam nenhum candidato, revelando o alto grau de indecisão que caracteriza a eleição.
A Quaest divulgará 130 pesquisas no total até 3 de outubro, véspera do primeiro turno, cobrindo disputas presidenciais, senatoriais e estaduais. Estes levantamentos são realizados em parceria com o Datafolha e encomendados pelo Grupo Globo para acompanhar a corrida eleitoral rodada por rodada.