A polarização que marca o cenário político brasileiro ganha contornos mais definidos com os resultados da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7 de setembro). O levantamento, encomendado pela Globo e jornal O Globo, testou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra cinco possíveis adversários em simulações de segundo turno, revelando um quadro onde as disputas se mostram acirradas, porém com dinâmicas distintas.

O empate técnico entre Lula e Flávio

No cenário mais esperado — a disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — ambos aparecem com 41% das intenções de voto. O resultado representa uma oscilação de apenas um ponto percentual para o presidente, que registrou 42% na pesquisa anterior realizada em 2 de setembro. Flávio Bolsonaro manteve sua votação estável. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos encontram-se tecnicamente empatados, cenário que evidencia uma disputa ainda aberta e imprevisível.

Nessa simulação específica, 13% dos eleitores afirmaram que votarão em branco, anularão o voto ou não comparecerão às urnas — mantendo o mesmo percentual da medição anterior. Já o contingente de indecisos apresentou uma leve variação, passando de 4% para 5%, sugerindo que parte do eleitorado segue indeciso mesmo quando apresentado com dois nomes de grande circulação nacional.

Outras disputas e vantagens de Lula

Além do duelo com Flávio, a pesquisa testou Lula contra o governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o médico Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Contra Caiado, Lula apresenta uma margem ligeiramente maior, com 41% contra 38% do governador goiano. Esse cenário também apresenta um empate técnico quando se considera a margem de erro, embora Lula mantenha uma posição ligeiramente mais confortável.

A disputa contra Augusto Cury mostra números ainda mais próximos: 39% para Lula e 35% para Cury. Quando se trata de Renan Santos, o presidente atinge 42% das intenções, enquanto seu potencial adversário fica em 37%. Por fim, contra Romeu Zema, Lula apresenta sua maior vantagem nesta bateria de simulações, chegando a 44% enquanto Zema alcança 33%.

O peso da rejeição na campanha

Um aspecto crucial revelado pela pesquisa diz respeito à rejeição dos candidatos. Lula é rejeitado por 53% dos eleitores entrevistados — um número que permanece idêntico ao da pesquisa anterior. Flávio Bolsonaro, por sua vez, enfrenta uma rejeição ainda maior: 55% dos eleitores afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Esses índices sugerem que, independentemente de quem vencer o primeiro turno, o eleitor brasileiro enfrentará uma escolha entre dois nomes com níveis significativos de rejeição.

Os demais candidatos testados apresentam rejeições menores, mas em crescimento. Ronaldo Caiado tem 41% de rejeição (oscilou um ponto para cima), Renan Santos é rejeitado por 29% (também subiu um ponto), e Romeu Zema enfrenta 39% de rejeição. Augusto Cury permanece como o menos rejeitado entre os cinco nomes, com 26% de rejeição.

Reconhecimento e potencial de voto

O levantamento também investigou o reconhecimento dos candidatos entre os eleitores brasileiros. Lula e Flávio Bolsonaro praticamente desfrutam de conhecimento unânime, com apenas 3% e 5% respectivamente afirmando não conhecer esses nomes. Em contraste, candidatos como Renan Santos (56% afirmam não conhecer) e Augusto Cury (52%) sofrem com falta de reconhecimento entre o eleitorado geral.

Quando perguntados sobre a possibilidade de votar em cada candidato — diferente das simulações de segundo turno direto — os números revelam o potencial de crescimento. Lula aparece com 44% dos que dizem poder votá-lo, enquanto Flávio Bolsonaro está em 40%. Caiado e Cury aparecem com 21% e 22% respectivamente, sugerindo que esses nomes têm espaço para expansão caso sejam confirmados como candidatos.

Metodologia e contexto da pesquisa

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 3 e 6 de setembro, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026. O nível de confiança utilizado foi de 95%, padrão em levantamentos eleitorais. Esses números servem como termômetro importante para compreender os alinhamentos políticos no Brasil em um momento crucial do debate presidencial.

A estabilidade de alguns indicadores e as pequenas oscilações em outros sugerem um eleitorado que, em grande medida, já formou suas preferências, mas com segmentos significativos ainda abertos a mudanças. O empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, portanto, não representa uma simples igualdade de votos, mas sim um reflexo da profunda divisão que caracteriza o cenário político nacional.

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