A menos de trinta dias para o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7) revela um cenário de relativa estabilidade na corrida ao Palácio do Planalto, com Luiz Inácio Lula da Silva mantendo sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro. O levantamento, realizado entre 3 e 6 de setembro e contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o território nacional, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A liderança de Lula se mantém, mas com redução mínima

No cenário estimulado — aquele em que a Quaest apresenta aos entrevistados os nomes dos candidatos —, Lula aparece com 36% das intenções de voto, uma pequena redução em relação aos 37% registrados na pesquisa anterior, de 2 de setembro. Seu principal concorrente, Flávio Bolsonaro, permanece fixo em 29%, mantendo uma distância de sete pontos percentuais do presidente. Esse gap, embora expressivo, é inferior ao que alguns analistas considerariam como consolidação de uma vantagem insurmontável a este estágio da campanha.

O dado mais relevante sobre Lula refere-se à consolidação do seu voto: 80% dos eleitores que declaram intenção de votá-lo afirmam que sua escolha é definitiva, o que significa que apenas um quinto desse eleitorado está aberto a mudanças até o dia do pleito. Já Flávio Bolsonaro apresenta índice semelhante de 78%, indicando que ambos os postulantes principais conseguiram cristalizar suas bases eleitorais.

Cury perde força enquanto Caiado ganha tração

A segunda pesquisa Quaest após o início do período de campanha oficial apresenta movimento interessante no campo de terceira via: Augusto Cury viu sua intenção de voto cair de 10% para 8% em apenas cinco dias, uma queda de dois pontos percentuais que não é desprezível. Entre seus eleitores, contudo, apenas 49% consideram o voto como definitivo, enquanto 51% ainda estão abertos à possibilidade de mudar de candidato — um sinal de fragilidade nas motivações de seu eleitorado.

Por outro lado, Ronaldo Caiado, do PSD, triplicou sua intenção de voto em comparação ao levantamento anterior, saltando de 1% para 3%. Embora ainda represente uma base reduzida de apoio, o crescimento é significativo e pode indicar que a campanha do governador de Goiás está começando a ganhar espaço na percepção dos eleitores. Entre seus apoiadores, porém, existe preocupação: 61% dos eleitores de Caiado manifestam que ainda podem trocar de candidato.

Romeu Zema, pelo Novo, também cresceu de 1% para 2%, enquanto Renan Santos permanece em 3% das intenções. Este último, porém, enfrenta desafio maior em relação à consolidação de seu voto: 59% dos seus eleitores dizem estar dispostos a mudar de candidato.

Indecisão persiste, mas em queda

O percentual de indecisos caiu de 11% para 10% na última semana, sugerindo que a campanha está começando a atrair eleitores que ainda estavam em dúvida. Ao mesmo tempo, o voto em branco, nulo ou abstenção cresceu de 7% para 8%, comportamento que revela parte de uma tendência de descontentamento com o quadro de candidatos disponível.

Na pesquisa espontânea — na qual não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados —, Lula mantém 28% e Flávio permanece em 20%, indicando que ambos conseguem ser lembrados espontaneamente pelo eleitorado. Neste formato de pergunta, 42% dos eleitores ainda se declaram indecisos, revelando um contingente significativo que não tem preferência clarividente por nenhum candidato.

Rejeição de Flávio e Lula permanece elevada

Um aspecto crucial da pesquisa refere-se ao índice de rejeição dos candidatos. Flávio Bolsonaro mantém-se como o postulante mais rejeitado entre os brasileiros, com 55% dos entrevistados afirmando que conhecem seu nome e não votariam nele de forma alguma. Lula, por sua vez, apresenta índice de rejeição de 53%, praticamente no mesmo patamar. Essa similaridade de rejeição é um fator estratégico relevante para ambos na reta final de campanha.

Pablo Marçal, do PRTB, embora com apenas 1% de intenção de voto, apresenta rejeição de 45%, números que sugerem que o empresário ainda possui margem para crescimento caso consiga reverter sua imagem junto ao eleitorado que o conhece, mas não votaria nele.

Governança e avaliação da economia moldam preferências

A aprovação do governo Lula permanece praticamente estável, com 43% de aprovação e 50% de desaprovação, mantendo a mesma proporção da semana anterior. A avaliação negativa do governo em geral chegou a 38%, enquanto 34% fazem avaliação positiva e 25% consideram seu desempenho como regular.

No tocante à economia, 49% dos brasileiros afirmam que as condições econômicas pioraram nos últimos doze meses, 29% dizem que ficou do mesmo jeito, e apenas 19% acreditam que melhorou — números que permanecem idênticos aos da pesquisa anterior, sugerindo estabilização do sentimento em relação ao cenário macroeconômico.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026 e representa um de 130 levantamentos que serão publicados até 3 de outubro entre os portais G1, Globo, GloboNews, jornal O Globo e emissoras afiliadas, cobrindo as disputas presidenciais, senatoriais e estaduais em todas as unidades da federação. Dessa forma, os números da Quaest de 7 de setembro registram um retrato fidedigno da campanha no exato momento em que a população brasileira celebra o Dia da Independência do país.

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